Refém de si mesma
Tantos sentimentos que invadem meu peito como se vindos à 200km/h, tantos que nem mesmo posso distinguí-los. Como se diversos novelos de lã tivessem desenrolado morro abaixo e nisso formaram-se muitos nós entre as linhas, e agora tentar separar cada uma parece impossível. É um vazio que inunda meu eu, ameaça transbordar mas nunca o faz, assim como nunca se faz claro o por quê estar ali.
Paranóias e mais paranóias rondam minha cabeça como abutres, colocando medo, tristeza, e uma ansiedade imensurável nela, já chego ao ponto de pensar estar ficando louca. Também sendo alimentado de carência, que chega no fundo de meu coração já tão acelerado por tanto anseio, e o aperta, deixando-o cada vez menor, mais encolhido e intimidado, com medo de se mostrar e de se apegar a alguém apenas por carência, ou de não ter seu amor retribuído, sentimentos são coisas que podem tanto ser boas, quanto também podem fazer muito mal e deixar marcas permanentes.
Mas isolar-se pode causar o mesmo, então o que fazer? E se apenas não tem o que eu possa fazer? Minha alma está sofrendo mas não entendo o que a deixa assim, minhas mãos estão atadas e esses sentimentos continuam a destroçar pouco a pouco o que ainda resta de mim, e os abutres a me observar atacam mais e mais, até quando eu posso aguentar?

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