O abismo em cada alma
A alma agora vem com etiqueta. Nos vendemos por tanta coisa que eventualmente se perderá com o tempo, e esquecemos de valorizar o que acrescenta ao coração. Nossos olhos se tornam à luz da tela de celulares, computadores e aparelhos televisores, e por diversas vezes perdemos oportunidades e momentos que não presenciamos simplesmente por não olhar ao nosso redor. Quantos pessoas conhecidas e também queridas passam pela gente todos dos dias na rua, e não se é dado conta porque nem mesmo estamos presente onde o corpo está. Enquanto a forma física que habitamos perambula por aí, nossa alma se fecha em um cantinho dentro de nós, como um passageiro distraído no banco de trás de um táxi.
Sem perceber, nos tornamos antissociais e consideramos isso normal, e ainda assim é questionado o vazio sentido em tempo integral, que desesperadamente tentamos preencher com tudo que se pode imaginar, seja com comida; bebida; roupas; diversos tipos de objetos; entre muitas outras possibilidades. Não é "errado" ter esse tipo de atitude, até porque não há como definir veemente o que é ou não correto, porém certos vícios que temos ao buscar completar esse espaço que nos deixa com um sentimento agonizante, são necessários que se tenha um certo controle sobre eles, já que tal vácuo dentro do peito é por falta de calor humano, falta de olhar nos olhos um do outro, de sentir, de falar, de ouvir. A sensação da troca de carinho e de respeito faz com que tomemos decisões demasiadamente impulsivas, que nos sintamos ansiosos frequentemente.
Todo o vazio que é sentido e que nos consome, muito provavelmente não é falta de bens materiais, de um relacionamento amoroso, de bebida ou seja lá o que mais. No final das contas, sempre é apenas falta de humanidade.

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