Jovem Transeunte - Capítulo 5
Carol's POV
A semana vai passando vagarosamente, e o Leo se enturmando com a gente cada vez mais. Acho que ele está se adaptando bem aqui, não tenho certeza mas é o que parece. Já consigo pelo menos conversar sem ficar tão tímida, tô começando a ver ele como um amigo já. Eu só devia estar um pouco "emocionada" mesmo, afinal não é sempre que se vê alguém tão bonito e gente boa assim.
Fiquei de encontrar minha amiga, que vive ligada no 220V, pra ajudar ela com umas ideias novas dela, mas nem mesmo sei ainda o que ela está planejando, então claro que estou até com medo. Tudo que ela me disse foi para me arrumar para um "rolê de fim de tarde". O que seria isso afinal? Só vesti minha calça favorita rasgada nos joelhos, uma camiseta que gosto muito, meu All Star e, pra não ficar tão sem graça, e uma maquiagem super simples, e passo um batom em um tom um pouco escuro de vermelho. Eu não tenho o hábito de me arrumar muito no dia a dia, mas além de me sentir confortável me vestindo assim, me sinto mais bonita também, afinal, eu também tenho uma certa vaidade.
Após conferir a bateria do celular e pegar alguns trocados, vou para fora esperar a Lê me buscar. Ela ainda está fazendo aulas de direção, mas já sabia dirigir desde os 15 anos, o pai dela que a ensinou. Não é sempre que saímos de carro justamente por nenhuma de nós ter carteira ainda, mas quando é um pouco mais longe ou o caminho pra ir a pé é ruim ou perigoso demais, vale mais a pena ir dirigindo mesmo, além de as vezes o irmão dela nos levar onde pedimos, caso ele não esteja ocupado, mas como ele já tem 21 anos eu imagino que esteja trabalhando ainda a essa hora. Os pais da Letícia têm dois carros, um que eles usam pra ir trabalhar, e o outro foi do irmão dela, o Henrique. Depois que ele começou a trabalhar e tinha ido morar num apê com mais outros dois caras, ele comprou um carro pra ele e devolveu esse que estava usando pra quando a Letícia tirasse a CNH dela. Há alguns anos ele implicava muito com ela, viviam discutindo, mas hoje em dia se dão muito bem, e ele até que é legal. Acho que ele amadureceu bastante nos últimos anos, e por mais que não saiba o que fez ele ter essa mudança tão brusca, não posso reclamar, porque agora pelo menos é possível ter uma conversa normal com o Henrique. Até mesmo já me apelidou de "baixinha", mas é só porque ele é mais alto que eu mesmo, porque a.
Absorta em pensamentos, nem percebo o carro parando na frente de casa, e sou puxada de volta pra realidade com uma buzina ensurdecedora.
- Olha elaaaaa! Toda gata desse jeito só pra sair comigo?! Desse jeito até me apaixono - Letícia, quase saindo pela janela, com seu bom humor de sempre - Rápido, entra aí, bora aproveitar que convenci essa toupeira a ir com a gente! - Os dois têm uma relação tão divertida hoje em dia, que vivem se chamando de tudo que se pode imaginar, sempre na brincadeira é claro. Não consigo segurar a risada ao ver ele imitando-a, com muito deboche, pelas costas dela, e logo já embarco no Corsa que ele comprara há um ano atrás, mas que sempre cuidou muito bem.
- Opa, tudo certo? - cumprimento.
- Fala baixinha, só na boa? Não sabia que agora era modelo - diz Henrique arqueando uma de suas sobrancelhas.
- Modelo? Ué e não sou... Lê... o que você tá planejando - observando mais atentamente, percebo que ele também está bem vestido, nem arrumado demais, nem desarrumado, está bem vestido apenas.
- Então amiga, eu ia esperar a gente chegar lá mas você sabe que não aguento né hahaha - diz ela virando para trás toda empolgada, e então começa a tirar algo da mochila - Olha, consegui comprar aquela câmera que sempre te disse que queria ter um dia, mas eu queria testar ela tirando fotos de pessoas, então chamei meus dois seres humaninhos favoritos nesse mundo! - Os olhos dela brilham como o de uma criança abrindo um presente de Natal.
- Espera, então quer dizer que eu vou ter que posar? - Pergunto ainda processando a ideia de que vou fazer algo assim, já que eu raramente tiro foto de mim mesma, mas o que mais me deixa com vergonha é que não é só eu e minha amiga, o irmão dela vai ficar lá com a gente, e eu não consigo evitar de me sentir assim.
- Relaxa, vai ser mais fácil do que você pensa, só confia!
- Tu me coloca em cada uma viu... Sabe que vai ficar me devendo um brigadeiro seu depois dessa né?!
- Faço quantos você quiser amiga! Muito obrigada! - Responde quase dando pulinhos de alegria no banco do carro.
Chegando no lugar que ela pediu pro Henrique nos levar, saio do carro e logo já vem um ventinho bom no rosto, jogando todo meu cabelo por cima dele. Prendo ele num coque enquanto observo a vista. Aqui deve ser o que chamam de "morro da teta" ou "morro do sutiã", por quê eu não sei. A criatividade do ser humano não para de me surpreender.
Direto vejo pessoas postarem fotos de ensaios fotográficos feitos aqui, por ter uma vista muito bonita e não ter muito movimento de carro, nem ter muitas casas. Na verdade tem pouquíssimas, tanto que tem muita gente que faz a própria festa aqui com os amigos, só chegam com o carro, estacionam e ficam ali, curtindo.
Olho para o lado e vejo os dois testando um pouco da câmera tirando foto do céu, que realmente está um espetáculo. Me parece melhor deixar eles ali e esperar, então enquanto isso mexo no celular para passar o tempo Mas claro que também não perco a chance de registrar essa paisagem linda, e também tiro uma foto da Lê e do Henrique. Por mais que não estejam posando e nem preparados pras fotos, ela ficou legal até, parece que dá de ver os laços que unem esses dois. Se algum dia me perguntassem o que seria companheirismo de verdade, essa imagem me viria à mente.
Não demora muito e logo a bendita já me chama:
- Ei, chega aí, vamos começar, você vai gostar, tenho certeza - diz ela enquanto me aproximo relutante. Sempre tive vergonha de que tirassem fotos minhas, nunca gosto de como eu fico nelas, pelo menos nunca gostei de nenhuma até hoje né, mas não custa nada dar uma força pra ela assim. Se eu achar que ficou ruim, é só eu pedir pra apagar.
Começo me sentando onde é pedido, de costas para a paisagem. Me sinto meio boba fazendo pose na frente de outras pessoas, mas foca Carolzinha, esquece o Henrique, e a Lê é sua melhor amiga, tá tudo bem.
- Dobra os joelhos e abre um pouco as pernas - sugere ela.
- Como assim? Tipo isso?
- Estica só um pouquinho esse joelho de cá... Aí, assim. Agora só levanta um pouco teu queixo, não assim não - meu nervosismo só deixa mais difícil para ela me explicar como é para eu ficar, até que então Henrique se aproxima e "me arruma" na posição que ela estava tentando me pedir para fazer - Isso, valeu mala, bem assim, agora Carol olha pra mim - tento me concentrar na câmera, não estou acostumada a ficar tão perto dele, no máximo a gente riu juntos outras vezes, mas eu nunca tenho um contato tão próximo de outras pessoas. Por força do hábito, desvio o olhar para o chão por um momento e tudo que escuto é Letícia dizendo "isso, boa, boa", e me sugerindo outras posições para o braço, ora para a perna, e por aí vai.
Quando me dou conta, já estou um pouco mais solta na frente da câmera. Me levanto e ouço com atenção as dicas dela para as próximas fotos. Eu fico meio tímida quando se trata do meu corpo porque eu não sou como várias outras garotas. Meu seio é pequeno como o de algumas meninas de 12 anos, não sou cheia de curvas nem nada assim, e não vejo nada demais na minha bunda. Mas já que estamos aqui, vamos fazer isso direito, não é mesmo?!
Alguns minutos se passam comigo naquele mesmo lugar, até que ela me chama para ver uma das fotos para ter uma noção de como ficou. Só posso dizer que estou sem palavras, nem mesmo me reconheço! A que ela me mostrou, eu vejo uma menina tímida, mas muito bonita. É como se estivesse vendo outra pessoa li, ela conseguiu registrar um lado meu que não sou capaz de ver sem que seja como defeito. Agora vejo que o jeito engraçado de ela tirar as fotos tinha sentido. De alguma forma, ela se entortando inteira e se abaixando realmente fazem diferença, e ver o resultado me animou demais. Ela pode estar apenas iniciando, e claro, pode não ter a mesma experiência que fotógrafos profissionais, porém para uma amadora, eu achei muito bom.
- Agora dá licença meninas que a diva está passando - Henrique brinca passando por nós para posar para Lê também, como se estivesse desfilando. Não conseguimos evitar as risadas que vieram depois dessa encenação, que por mais que tenha sido muito boba, tudo se torna mais leve e divertido na companhia de amigos.
Observando um pouco afastada ele posar para a câmera, percebo que realmente é muito bonito, e que, talvez, ele pudesse se dar bem como modelo. Seu cabelo, que chega na altura dos ombros, está com a franja presa para trás; a barba por fazer que, em vez de dar uma aparência de desleixo, o deixou transmitindo uma sensação de leveza, calmo, sem preocupações. Ora fica sério, ora ri das brincadeiras da Lê, assim como fez comigo. Segundo ela, o sorriso fica mais sincero, e consequentemente mais bonito também. "Ninguém merece aqueles sorrisos falsos, credo parece que a pessoa tá em cativeiro e postando aquela foto porque foi obrigada a fazer pra mostrar que tá tudo bem", nas palavras dela, para ser mais específica. O pôr do sol já chegando ao seu fim e trazendo aquele momento que não está tão escuro, mas também já não há claridade, e minha amiga, tão genial de vez em quando, quer tirar uma foto mais de perto pra mostrar bem o olho do irmão. Henrique na verdade seria seu meio-irmão, nasceu antes dos pais dela se conhecerem quando ele ainda era bem pequeno, e ele e a família dele acolheram o menino mesmo não sendo filho biológico de seu Fernando, e o "pai" de sangue dele aparentemente tinha olhos verdes, e aí está essa belezura dos cabelos castanhos, só pra realçar ainda mais seus olhos.
Ainda que Letícia diga que agora é ótimo pra foto que ela quer fazer, nós dois nos olhamos céticos, já que no nosso ver, o céu sem todas aquelas cores e ainda formando algumas nuvens um pouco acinzentadas ao fundo não é algo que se considera tão belo, mas deixa a menina fazer arte, não custa nada colaborar.
- Abaixa só um tiquinho o rosto... um pouco menos, isso! Perfeito! - a empolgação da minha amiga é o que a faz brilhar mais ainda, é contagiante, e eu amo isso nela - Agora faz "cara de brabo", sei lá, pensa em alguém que te deixa puto da cara.
- O que é que tu tá fazendo afinal? - ele questiona rindo - Se me deixar com cara de idiota tu vai ver em pirralha!
- Ah cala a boca! E você já tem cara de idiota mesmo, não vai mudar muito - diz ela provocando Henrique. Eu sempre me divirto muito com essas palhaçadas dos dois, mas eu estou muito incomodada com uma coisa: o Henrique sempre foi atraente assim e eu só notei agora, ou ele ficou mais bonito nos últimos meses? Talvez por ser irmão da minha melhor amiga também que eu nunca prestei muita atenção.
Agora, seguindo o que ela sugeriu, ele se concentra de volta posa para mais algumas fotos.
- Isso, boa caramba! Vocês são os melhores!
- Mas agora a gente quer ver como ficaram as fotos - comento já me aproximando mais pra ver a câmera.
- Não mesmo! Vão ter que esperar, é surpresa! - diz com uma risadinha maliciosa - Agora vamos, eu dirijo! Tenho um "compromisso" agora hehehe...
- E onde é que pensa que vai sem me contar nada, ô fedelha?
- A Carol sabe, depois ela te explica - assim que termina o comentário, Henrique se vira pra mim, com a mesma expressão de preocupação que faz sempre que ela resolve fazer algo sem contar a ninguém.
- E-eu? O que é que eu deveria saber? Garota eu nem sei do que tu tá falando!
- Se prestasse atenção quando digo as coisas, saberia... - me olha como se estivesse me incentivando a lembrar algo que ela supostamente teria dito para mim, porém só depois de alguns segundos que me dou conta que ela realmente falou algo, que no caso seria sair com o Bruno, porém eu nem lembrava mais porque era pra ter sido há uns dois dias talvez?! Não tenho certeza, mas depois ela vai me contar tudo com calma, me deixar curiosa ela não vai.
- Ah sim, verdade né! - digo após ter caído a ficha - Mas se cuida né, qualquer coisa liga pra gente, já sabe, e deixa a localização ligada.
- Menos, bem menos, eu sei me virar - diz despreocupada.
- É melhor alguém me explicar o que tá acontecendo, não acham?
- Sim, sim. Mas a Carol vai te explicar, entrem logo nessa coisa!
Só depois que me dei conta do que ela estava se referindo que entendi por quê ela estava um pouco mais arrumada que o normal, mas sem exageros também. Mas enfim, eu e Henrique entramos no carro, eu no banco de trás. A Lê sempre que dirige coloca músicas de acordo com o humor dela, e dessa vez ela coloca as mais animadas dos anos 2000, e claro que nós dois também conhecíamos todas elas, então seguimos o caminho todo até perto da praça da delegacia, onde ela marcou com o garoto para se encontrarem.
O carro para e Letícia tira uma bolsa pequena de trás do banco dela que eu nem tinha notado, e de dentro tira um lip tint, que aplica cuidadosamente olhando no espelho retrovisor.
- Tá bom, me fala pelo menos o nome e idade desse cara - diz Henrique um pouco emburrado, claramente com ciúmes da irmã.
- Bruno, 17 anos, quase fazendo 18 na verdade - responde despreocupada sem tirar os olhos do espelho enquanto ajeita seu cabelo.
- Sei. Se ele tentar alguma gracinha pra cima de ti, já sabe o que fazer né?!
- Sim, sim. Tentar acertar o saco dele, ou talvez apertar os olhos dele com meus dedos, entre outras coisas. Preciso mesmo te lembrar que é mais fácil eu tentar algo? - diz com toda a tranquilidade do mundo, ajudando a lembrar a irmã que tem. Ela não costuma se envolver em problemas, mas realmente, a bichinha é tinhosa - Agora dá licença que tenho que ir, aproveite deixar ela em casa fazendo o favor. Amiga relaxa que depois te conto tudo viu?! - reafirma com uma piscadela, que não tranquiliza nada, diga-se de passagem.
- Eu espero né, vê se não esquece - reforço, para garantir que ela realmente me conte tudo, até pra poder dizer se é melhor cair fora ou não.
- Beijo, beijo! Fui! - e finalmente, se despede de nós dois, e só agora percebo que vou ficar um tempo sozinha com Henrique.
Passo para o banco da frente, ao lado dele, que já assumiu o volante, e logo já ligo na minha playlist favorita, que lá começa tocando River, de Bishop Briggs. Essa é uma das músicas que me faz entrar numa vibe muito gostosa, como se ficasse chapada mesmo, embora eu não faça uso de nada além de álcool quando saio de casa.
- Tá com fome? - sou tirada de meu transe por ele - Bora pegar pastel?
- Bora - concordo sem muito entusiasmo. Todas as vezes que estive sozinha com ele, eu não liguei, via como se fosse meu irmão também, mas eu tô tão desconfortável dessa vez, nunca tinha olhado pra ele dessa forma, pra mim é parte da família, tanto ele quanto a Lê. Eu não entendo o que que tem passado pela minha cabeça, nunca fui de olhar assim pra ninguém, e quando tinha interesse em algum garoto, era diferente, era uma criança praticamente, ingênua ainda. Mas logo passa, já já volta tudo ao normal.
Chegamos em frente a uma pastelaria nova, nunca vim aqui, mas ele me assegurou de que eles fazem o melhor pastel da cidade. Se eu não provar, nunca vou saber, não é mesmo?! Saio do carro conferindo se o dinheiro que peguei ainda está dentro da capa do celular, afinal sempre é bom ter certeza em algumas situações. Chegando no balcão, Henrique logo pede à atendente para explicar como funciona o lugar, que tipos de pastéis tem (tamanho deles, opção de sabor, preço, essas coisas), e ela esclarece explicando que tem os básicos, e também já prontos, como o de carne, de frango, essas coisas; e também que dá pra "montar" o pastel, ou seja, dá pra escolher o que eu vou querer no recheio do meu. Óbvio que ouvindo tudo aquilo e ainda sentindo aquele cheiro bom, eu já estava babando praticamente. Assim que ela termina de explicar, Henrique se vira pra mim e diz:
- Tem que voltar logo? Porque se quiser, dá de a gente escolher o recheio e comer aqui.
- Não, tá tranquilo, podemos ficar aqui mesmo.
- Se quiserem já escolher uma mesa, que eu já peço para levarem o cardápio para vocês - sugere educadamente a moça.
Agradecemos pelo atendimento e nos direcionamos a uma das poucas mesas no ambiente. É um lugar pequeno, empresa nova pelo visto, mas é muito agradável também. Toda vez que vou num lugar novo, eu gosto de observar um pouco ao meu redor, gosto de ver decoração quando é diferente da de outros lugares, e aqui é assim. Há mesinhas simples, antigas ou apenas feitas para parecerem aquelas de antigamente, com lâmpadas, mas apenas a parte de vidro delas, de todos os formatos, das mais antigas até as um pouco mais recentes, antes de começar a serem usadas as fosforescentes, e cada mesa possui um tipo. No vidro, há uma parte aberta na lateral delas, e dentro há um pouco de terra, e por cima dela pedrinhas brancas, além de um ou dois cactos pequeninhos. Tudo aqui tem essa pegada um pouco mais antiga, mas não muito, e delicada e leve, mas sem coisas que sejam frágeis demais também, exceto por essas lâmpadas.
Cardápios já entregues, começamos a escolher o que cada um vai querer, e logo o pedido é feito. É divertido passar um tempo, tanto com ele, quanto com a Letícia. Acho que eu só fiquei surpresa por ter notado que ele é bonito mesmo, mas continua sendo um amigo. Conversa vai, conversa vem; algumas risadas aqui, outras ali; e após pagar cada um a sua parte (até porque se os dois comeram, não vejo sentido só um pagar), e ao se dirigir à saída, vemos João entrando.
- Faaala Cacá! Só na boa? - se aproxima para cumprimentar, sorriso estampado no rosto como sempre, isso que é um garoto alegre - E aí meu brother! Caralho quanto tempo! - quase todos conhecem o Henrique, porque diversas vezes já deu carona para nós, e também já saiu com a gente algumas vezes também e levou consigo uns dois amigos a mais.
- Opa, só na boa sim, e tu? - respondo cumprimentando-o de volta.
- Fala guri, qual a boa? Só aprontando? - pergunta a João, ambos dando tapas nas costas um do outro.
- Eu? Jamais... - com uma cara como a de uma criança sem jeito quando diz que se comportou à sua mãe, quando na verdade não fez isso - Ah é né, antes que eu me esqueça, a Lelê te contou que tem gente nova no grupo?
É nesse momento que percebo que atrás dele vem se aproximando uma pessoa, que por conta da altura de João, não havia notado antes que estava vindo na mesma direção e muito menos tinha conseguido ver com clareza seu rosto. Se posicionando ao lado de João, vejo Leo, que sorri simpaticamente ao ser apresentado a Henrique.
- E aí, tudo certo? - diz Leonardo olhando para ele, e então para mim, que só consigo responder com um pequeno sorriso.
Toda vez que a gente se olha enquanto conversa parece que há alguma química, mas ele sempre me tratou da mesma forma que trata os outros, e da forma como estou boba com qualquer coisa que aconteça, não tenho dúvidas de que é só impressão minha.
- E aí. Eu sou o irmão da Letícia, ela me falou um pouco de ti, bem-vindo mano - conhecendo a minha amiga, sei que Henrique só não quis assustar o garoto, porque sempre que ela fala sobre algo, não é pouco. Na verdade, ela é bem tagarela, mas eu gosto disso, ela não é daquelas que não deixa mais ninguém falar numa conversa, e sim é daquelas que todo assunto rende, e quando percebe, já se passou mais de uma hora falando apenas sobre um assunto, dependendo qual for ele.
- Saquei... Eu achei ela legal, é massa conversar com ela, bem espontânea - comenta tranquilamente. Eu adoraria aprender a conversar com alguém pela primeira vez nessa calma toda. Segundo ele outro dia, no primeiro dia de aula dele aqui ele estava mais tenso porque era tudo novo, tudo mesmo. Acho que ele só precisava se familiarizar pelo menos um pouquinho com a cidade nova e as pessoas.
- Só não dê muita corda quando não tiver a fim de conversar porque ela se empolga e quando cair na real, vai estar querendo fingir que te ligaram pra dar o fora - ri ao fazer brincadeiras sobre a própria irmã, mesmo esta estando longe agora em um encontro.
No final das contas, nos sentamos novamente em uma mesa, mas dessa vez junto deles. Por não aguentarmos mais comer (até mesmo porque o pastel veio tão bem recheado, realmente é o melhor da cidade), então peço uma coca para acompanhar os dois que acabaram de chegar.
Seguimos trocando ideia por um tempo, e já são 20h, logo é uma boa ideia voltar pra casa, foi um dia bem divertido, tanto que já estou me sentindo meio cansada. Como se lesse minha mente, Henrique pergunta:
- Eita! Nem vi que já era essa hora. Tu queres ir pra casa Carol? - um semblante preocupado espera pela minha resposta.
- Relaxa, tá de boa, mas acho que já vou indo mesmo, um pouco cansada depois de comer um pastel desses, minha nossa! - digo ao esfregar a barriga com uma mão, e a satisfação de uma refeição deliciosa em meu rosto - Não se preocupe, pode ficar aí, eu chamo um Uber - começo a me levantar e dou uma espiada pra ver quanto me sobrou.
- Nada a ver, deixa disso, eu te levo - insiste.
- Seguinte, acho que a gente também já vai indo, se quiser a gente pode te dar carona - sugere João, mesmo que brincalhão, é sempre muito querido.
- Verdade, e como a gente é vizinho é até mais prático. - acrescenta Leonardo, me deixando levemente confusa. Percebendo isso, complementa ainda - É que eu vim dirigindo, a minha tia não ia usar o carro então pedi emprestado pra ela.
- Não sabia que já tinha carteira - deixo escapar sem querer um comentário.
- E não tenho, mas aprendi a dirigir ano passado. Além disso, sair pra dar uma volta rapidinha dentro da cidade não vai dar problemas.
- Tá certo, vou contigo então. Mas valeu mesmo pelo rolê hoje Henrique, foi massa pra caramba - digo me despedindo dele, e logo em seguida de João, que vai pegar carona com ele por morar mais longe da gente do que da família da Lê.
- Precisando só chamar. Juízo em piázão, essa aí é da família já faz muitos anos! - brinca Henrique, como se fosse meu irmão mais velho.
- Piázão? Que merda é essa? - ri confuso ao ouvir do que lhe chamaram - Mas pode deixar, tá comigo tá com Deus! - brinca enquanto cada dupla se dirige ao seu carro, dando de ouvir apenas a risada dos dois por já estarem mais afastados de nós.
- Então, aqui a gente se refere à "garoto', "menino", e as vezes à "rapaz", falando "piá", é só forma de falar - explico, agora conversando apenas com ele.
- É cada coisa que inventam - diz ao soltar uma risadinha enquanto entra no carro e destranca a porta para que eu entre.
- Todo lugar tem suas peculiaridades hahahaha - já dentro do veículo, me ajeito no banco enquanto ele escolhe uma música para tocar. Liga o carro, agora ao som de ninguém mais ninguém menos que Charlie Brown Jr!
- Não sei se tu curte essas músicas aí, mas qualquer coisa pode trocar, fica à vontade.
- Nem esquenta, além disso também gosto das músicas do Chorão.
E a volta pra casa acaba sendo assim: dois amigos, curtindo e conversando sobre algumas músicas e artistas. Por uma parte do caminho era preciso dizer pra onde ele deveria ir, já que ainda não conhece tão bem assim a cidade, mas logo estava cada um em sua casa, depois de um dia com muitas risadas e uma parceria ótima. Até mesmo esqueci de perguntar à Lê sobre as fotos que ela tirou, e que tinha ficado tão ansiosa pra ver. No final, só precisava tomar um banho e me deitar, feliz com o dia que tive com meus amigos.
De repente, sou acordada por uma chamada de voz de Leonardo. Antes de conseguir atender, ele desliga, e vejo que são 3h da manhã. O sono evapora de meu corpo, e ligo de volta para ele, que atende quase que de imediato...
Oiii pessoinhas! Tudo certo?
O que estão achando dessa história? Como é a primeira que começo a escrever, que posto e também que dou continuidade, gostaria de saber o que eu poderia fazer nela, a fim de melhorar cada vez mais cada postagem aqui na página.
Para isso, é só deixar seu comentário aqui (não precisa login para isso, pode ser anônimo se preferir), ou então entrar em contato comigo pelo Twitter. O link está no final da página, só rolar o scroll que você encontra facilmente :D
Muitíssimo obrigada pela atenção, espero que gostem, beijão meus amores!!!


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