A ansiedade deixada pelas incertezas


     Um vazio que faz de meu peito sua morada, um buraco negro que tenta sugar toda a minha mente, e deixando-a na fria e solitária escuridão, sem rumo, sem esperança. Os caminhos escolhidos teriam me levado a este precipício, o qual não é possível enxergar o chão onde irei desmantelar-me? Como se andando sobre uma corda bamba e de olhos vendados, me vejo obrigada a atravessar este lugar, incapaz de saber o quanto fora percorrido ou onde irei chegar. Andando em meio à ventania, chuva e frio, que são como se milhares de facas fincassem em todo meu corpo, além dos momentos de sol escaldante, queimando minha carne como se estivesse andando em meio às labaredas de um incêndio que me envolvem constantemente; e também dos seres que não posso ver e me rodeiam eventualmente, como se incentivando a desistir, a me entregar, me falam palavras que escuto apenas em meus pensamentos, me trazem lembranças que me atordoam, porém se escondem quando me fortaleço, esperando pela recaída para retornarem e me desestruturar.
     Dias, semanas, meses... a incessante caminhada às cegas, a exaustiva necessidade de equilibrar-me em minha trajetória, de ignorar o que vive a me assolar e torce pela minha ruína. Me reerguer ao errar o passo dado nessa tênue linha é um desafio, o qual é formado por duas alternativas: na primeira, sabes que irá continuar essa longa caminhada até chegar o dia em que irá descobrir onde chegou, e poderá então ver o caminho que fora percorrido e perceber que tudo que pareceu difícil demais em algum momento, era na verdade muito simples, porem a angústia não permitia visualizar a real proporção de cada situação, como uma sombra no chão, que pode nos fazer parecer maior do que realmente somos; e a segunda opção é incerta, tomada pelo medo, e escolhida sempre de forma impulsiva, e jamais deveria ser vista de fato como uma alternativa, uma opção de escolha. Não se sabe ao certo o que acontece ao seguir por esse caminho, e a única certeza que se tem sobre ela é que uma vez que a decisão é feita, não há volta. E esta corda, que ora sinto como se fosse espessa e feita de aço, e ora se assemelha a um barbante sob meus pés, está sempre a me surpreender e a me levar a eventos que trazem a tona diversos sentimentos, os quais sequer sou capaz compreender.
     E aquele vazio, que chega silenciosa e calmamente, de forma sorrateira se aloja em mim, como um parasita ao encontrar um hospedeiro, e logo começa a fazer uma bagunça por onde passa. Me encontro tão imersa em meus pensamentos que não sou capaz de perceber quanto tempo já se passou, e como vim parar onde estou, certas vezes nem mesmo reconheço minha própria imagem no espelho. A perplexidade desse tempo que se perde é desconcertante, e o que habita minha mente me desnorteia, como se estivesse a girar incessantemente em um carrossel, e quando ele para não compreendo onde estou. Tudo à minha volta se distorce e meu corpo a sentir calafrios implora por uma resposta que explique que confusão toda é essa e qual o nome dessas emoções que nunca senti antes. Enquanto tento compreender o que está a acontecer, esta corda sob meus pés me força a continuar essa caminhada, e está sempre se encontra rodeada de marcos de todos os tipos, desde os que nos fazem gargalhar até os que nos deixam submersos em uma tristeza profunda.
     Nessa inconstância na qual se encontra minha mente, luto para recobrar o equilíbrio que me fora tomado por essa areia movediça que se faz presente sob meus pés de tempos em tempos, fria e de profundidade não mensurada, da qual não consigo me livrar se não manter a calma. Assim como um furacão que destrói tudo por onde passa, da mesma forma é a mente quando se deixa ser tomada pelo pânico: arrasa com tudo que estava ali para salvá-la. A chama dentro de mim é como a chama de um lampião, tem como serventia iluminar o caminho por onde passa, servir de ajuda aos perdidos em meio a escuridão. Mas se derrubado e seu vidro quebrado em meio a vegetação, um incêndio se inicia, e o fogo não contido, mais difícil se torna de ser apagado. Se estas labaredas tocam a corda pela qual caminho e não forem apagadas, sua ruptura pode ser dada como certa, porém se é feito com que cessem antes de seu calor causar algum dano a ela, nem tudo estará perdido, e então logo posso retornar à minha jornada. A cada escolha feita, o destino final é alterado mas sem que se possa saber com certeza o que está por vir, nem mesmo quais decisões tomadas são as corretas, quais palavras ditas ou não irão trazer mudanças drásticas. Tudo, por mais que se façam planos e se tome cuidados, ainda assim não há como definir que fim irá levar cada estrada escolhida a se seguir. Rumos que se cruzam por diversas vezes, seria essa uma chance de mudar minha jornada? Tantas escolhas a se fazer todos os dias, e mesmo assim me vejo perdida.
     Dias, semanas, meses... o tempo continua passando, e eu sigo sem saber ao certo o que fazer.

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