Você é montanha-russa ou furacão?


     Onde está aquele olhar que consegue enxergar além de qualquer máscara; que carrega em si emoções tão profundas e até desconhecidas; que me fita ao me ver chegar à distância? Onde está aquele sorriso brincalhão; que ora disfarça a dor, e ora demonstra amor ao que o cerca; que ilumina o caminho até mesmo dos corações mais perdidos como um farol; e que aquece ao meu como uma lareira em um chalé em meio a um inverno rigoroso e o faz sentir-se, enfim, em casa. Onde está esse teu espírito livre, aventureiro, que primeiro se faz parecer simples de compreender, mas ao olhar mais de perto se percebe que és misterioso e repleto de segredos, os quais o protegem e escondem suas cicatrizes; que ao mesmo tempo que espalha alegria e gargalhadas por aí, carrega junto de ti uma dor que se esconde por detrás dessa falsa felicidade, e então se mostra quando deita sua cabeça em meu colo, como uma criança indefesa.
     Se não tem mais interesse em conversar comigo, em rir de coisas tão bobas que muitos acham sem graça, em falar sobre o passado, o presente e o futuro, sobre crescimentos pessoais e sobre quem somos, por que não podes me contar? Talvez nada disso tenha algum significado para ti e seja mais fácil sumir, ou talvez tenha acontecido algo e eu nunca vá saber o quê. Meu coração aperta mais a cada hora que passa. Sem notícias suas, aos poucos vou sentindo um nó em minha garganta se formar, e a fome de repente se esvair, a ansiedade aumentar, o estresse acumular. Meus olhos já querendo chover, mas ao mesmo tempo lágrima nenhuma se permite formar, e mais inseguranças passam a me sondar e eu fico sem saber se elas têm razão ou querem apenas me torturar.
     Como alguém consegue chegar assim tão de repente e formar um furacão, tão forte que destrói tudo por onde passa?! Se este irá arrancar árvores ou prédios, levantar terra ou asfalto, não há como saber, apenas pode-se verificar depois que o caos se dissipa. Queria eu que fosse como uma montanha-russa apenas: nos enche de emoções como o medo e a euforia em seus altos e baixos, curvas e retas, adrenalina pura. Nela ninguém se fere, e quem vai dificilmente se arrepende e não repete o brinquedo, há momentos que ela desacelera, mas também que sua velocidade cria novos penteados em quem aceita o desafio de embarcar nessa instabilidade que na verdade é estável de fato, e apenas traz a sensação de que podemos sair voando pelos ares, mas não vamos, pois há cintos e barras que nos seguram dentro de cada carrinho, e alguém a quem segurar a mão ou abraçar quando o medo vem, ou também usar isto de desculpa para ficar mais próximo de quem nos acompanha. É isso que eu quero para mim, e era isso que eu pensava que você seria para mim, uma montanha-russa, não um furacão. 

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